O Entardecer do Porto

Fecho a tela preta e abro a janela.
O sol amolece o guindaste do porto,
que enverga o dorso exausto de carregar
navios pesados sobre o rio em brasa.

O calor do vento sacode meus cabelos.
Folhas de papel voam sobre a mesa.
Os operários são vultos cansados saindo
no silêncio de concreto das fábricas.

Na rua, faróis rompem o entardecer.
Buzinas e sinaleiras ditam o ritmo do caos.
E, num gesto quase automático,
meu vizinho gira a chave da porta de casa.