O Vidro do Olho
O dedo desliza num raio de luz,
refresh que é reza, que é febre, que é cruz.
Um aquário embaçado de vidro fumê,
peixe se exibindo pra quem não quer ver.
O algoritmo provoca o que o sangue invoca,
mas entrega só cinzas pra quem quer calor.
Bloqueia, espreita, exibe o perfil.
A alma vendida num feed sutil.
O porto gelado no vento do caos.
O amor no silício não passa de pixels.
Um brilho apagado no vidro do olho.
Minha vida lá fora é o cheiro, é o fogo.