Gesto
O que mais gosto em ti
são os gestos,
a xícara que tu segura com as duas mãos,
o jeito de ajeitar o cabelo
quando pensa em algo difícil.
Gosto dos quadros que tu pendura,
um pouco tortos,
um pouco teus,
como janelas abertas ao vento.
Gosto de como tu ensina as crianças:
teus dedos sujos de tinta,
papéis secando no sol,
um mundo pequeno
que tu abre com cuidado.
Gosto dos livros abertos na mesa,
das anotações na margem,
dos mundos que tu desmonta
e remonta com calma.
Gosto da tua empolgação
quando um trabalho novo chega,
aquele suspiro profundo,
as cores que acendem antes da ideia.
E gosto quando tu me diz
hoje estou feliz,
ou hoje não deu,
com a naturalidade
de quem abre a janela
para ver o tempo.