Guapea

Tu entrou pela porta num passo guapea,
de quem conhece a música que vai tocar.

No sofá, Neruda aquecia minhas mãos.
Brasas germinando no papel.

Teu suspiro no meu peito.
A posição cerrada.
Pinturas e poemas conversavam pela casa.

O cheiro de salsa ressoava na noite,
entre risadas, giros e almas.

As estrelas desenhavam animais.
A lua fina riscava a noite.
E teus dentes na minha pele
deixavam lembranças
que o tempo nunca pôde apagar.